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Faria Lima concentra 42 dos 350 alvos da megaoperação contra o PCC

Ação atinge centro financeiro de SP, com mandados de busca e apreensão em empresas e postos de combustíveis ligados ao crime organizado

A megaoperação realizada pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público (MP) nesta quinta-feira (28) teve como um dos principais alvos a Avenida Faria Lima, em São Paulo, um dos centros financeiros mais importantes do país. Ao todo, 42 dos 350 alvos da operação foram concentrados nesta área, conhecida por abrigar grandes empresas, fintechs e fundos de investimentos. O objetivo da ação é desarticular um esquema criminoso de lavagem de dinheiro comandado pela facção criminosa PCC, que se infiltrava no setor financeiro e em postos de combustíveis.

A operação, que também contou com o apoio da Receita Federal e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), cumpriu 15 mandados de busca e apreensão em um único prédio da Faria Lima. Segundo as autoridades, o PCC controlava uma rede de postos de combustíveis e se associava a empresas financeiras para lavar o dinheiro obtido com o tráfico de drogas. As investigações apontam que, entre 2020 e 2024, mais de R$ 10 bilhões foram movimentados de maneira ilegal, com o uso de fintechs e transações fraudulentas em postos de combustíveis.

Além dos mandados de busca, também foram cumpridos mandados de prisão em São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina. O esquema criminoso, que envolvia desde a adulteração de combustíveis com metanol até a movimentação de bilhões de reais em ativos financeiros, é responsável por um rombo significativo para o país. A Receita Federal estima que, só em São Paulo, a sonegação fiscal gerada pelo grupo chegou a R$ 7,6 bilhões.

A operação é a junção de três investigações, sendo elas as operações Carbono Oculto (MP), Quasar e Tank (PF), e visa desmantelar a inserção do PCC no setor de combustíveis e no sistema financeiro.

Lista de principais alvos da megaoperação:
Pessoas físicas

  • Mohamad Hussein Mourad – Empresário, epicentro do esquema criminoso
  • Roberto Augusto Leme – Apontado como operador central do esquema
  • Marcelo Dias de Moraes – Presidente da Bankrow Instituição de Pagamento
  • Camila Cristina de Moura Silva/Caron – Diretora financeira da BK, fintech usada para lavagem de dinheiro
  • Valdemar de Bortoli Júnior – Com vinculação às distribuidoras de combustíveis Rede Sol Fuel e Duvale
  • José Carlos Gonçalves, conhecido como “Alemão” – Ligado ao PCC
  • Lucas Tomé Assunção – Contador vinculado à GGX Global Participações e Usina Sucroalcooleira Itajobi
  • Marcello Ognibene da Costa Batista – Contador com indícios de fraude societária

Empresas e instituições financeiras

  • BK Instituição de Pagamento S.A.
  • Bankrow Instituição de Pagamento S.A.
  • Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda.
  • Reag Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.
  • Altinvest Gestão de Administração de Recursos de Terceiros Ltda.
  • BFL Administração de Recursos LTDA
  • Banco Genial S.A.
  • Actual Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.
  • Ello Gestora de Recursos LTDA
  • Libertas Asst S/A
  • Banvox Distribuidora de Títulos e Valores LTDA
  • Zeus Fundo de Investimento em Direitos Creditórios
  • Brazil Special Opportunities Fund
  • Atena Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia
  • Olimpia Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado
  • Minesotta Fundo de Investimento Imobiliário
  • Pinheiros Fundo de Investimento Imobiliário FII
  • Olsen Fundo de Investimento Imobiliário Responsabilidade Limitada
  • Mabruk II Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Não Padronizados
  • Radford Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado
  • Participation Fundo de Investimento em Participações em Cadeias Produtivas Agroindustriais
  • Zurich Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia
  • Pompeia Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia
  • Location Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia
  • Derby 44 Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado
  • Los Angeles 01 Fundo de Investimento Imobiliário
  • Gold Style Fundo de Investimento em Direito Creditório Não Padronizado
  • Hans 95 Fundo de Investimento Multimercado e Investimento no Exterior
  • Celebration Fundo de Investimento em Participação Multiestratégia
  • Keros Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia
  • Fundo de Investimento Imobiliário FII Enseada
  • Fundo de Investimento Imobiliário Ruby Green
  • Fundo de Investimento Imobiliário Green Eagle
  • Pegasus Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia
  • Paraibuna Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia
  • Fundo de Investimento Imobiliário Toronto
  • Mam ZC Tesouro Selic FI Renda Fixa DI Soberano
  • Anna Fundo de Investimento em Cotas de Fundo de Investimento em Direitos Creditórios
  • Reag High Yield Fundo de Investimento em Direitos Creditórios

Distribuidoras e administradoras de postos de combustíveis

  • Aster Petróleo Ltda.
  • Safra Distribuidora de Petróleo S/A
  • Duvale Distribuidora de Petróleo e Álcool Ltda.
  • Arka Distribuidora de Combustíveis Ltda.
  • GGX Global Participações SA
  • Ciclone Gestão e Participações Ltda.
  • Latuj Participações Ltda.
  • Lega Serviços Administrativos SA
  • Vila Rica Participações Ltda.
  • Khadige Conveniência Ltda. (denominada Empório Express Ltda.)
  • Dubai Administração de Bens Ltda.

A logística criminosa e a lavagem de dinheiro
A operação também revelou a complexidade do esquema, que envolvia diversas etapas, desde a importação ilegal de metanol até a distribuição de combustíveis adulterados. Segundo as investigações, o metanol era desviado do Porto de Paranaguá, no Paraná, e destinado a postos de combustíveis ligados ao grupo criminoso. Além disso, contadores atuavam diretamente na manipulação das transações financeiras e no uso de fintechs para dificultar o rastreamento do dinheiro. A utilização de fundos de investimento, muitos deles com vínculos na Faria Lima, foi outra estratégia empregada pelo grupo para ocultar o dinheiro oriundo das fraudes.

PCC e a influência no mercado de combustíveis
A megaoperação desvendou ainda a forma como o PCC atuava diretamente no mercado de combustíveis. Investigadores apontam que donos de postos de combustíveis foram coagidos a vender seus estabelecimentos para integrantes do grupo criminoso. Em alguns casos, os vendedores não receberam os valores das transações e foram ameaçados de morte caso cobrassem o pagamento. Esse tipo de extorsão e manipulação econômica demonstram a grandeza e o alcance da organização criminosa, que usava a economia formal e instituições financeiras para ocultar seu patrimônio ilícito.

Ao todo, a operação impactou oito estados brasileiros: São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rio de Janeiro e Santa Catarina. O volume de recursos movimentados pela organização foi estimado em bilhões de reais, com a sonegação de impostos superando os R$ 7,6 bilhões. Com a deflagração da operação, autoridades esperam dar um golpe significativo em um dos maiores esquemas criminosos que afeta o mercado de combustíveis e sistemas financeiros do Brasil.

As investigações continuam, e novos desdobramentos podem surgir conforme mais informações sobre o funcionamento da rede de lavagem de dinheiro e fraude fiscal sejam reveladas. A ação representa um passo importante no combate ao crime organizado e ao tráfico de influências em setores estratégicos da economia brasileira.

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