Governo Federal estabelece roteiro metodológico para recuperação da vegetação nativa no Brasil
A Comissão Nacional para Recuperação da Vegetação Nativa (CONAVEG) publicou, no Diário Oficial da União, a Resolução nº 6, de 17 de setembro de 2025, que estabelece o roteiro metodológico para identificação de áreas prioritárias para recuperação da vegetação nativa no âmbito do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg).
Um marco estratégico para o Planaveg 2025–2028
A resolução representa um avanço na implementação da Política Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Proveg), instituída pelo Decreto nº 8.972/2017. O Planaveg, principal instrumento dessa política, tem como meta restaurar 12 milhões de hectares até 2030, promovendo benefícios ambientais, sociais e econômicos.
Em 2023, iniciou-se a revisão do Planaveg, culminando na Resolução CONAVEG nº 4/2024, que definiu o novo marco estratégico para o período de 2025 a 2028. A Resolução nº 6 complementa esse processo ao apresentar um roteiro técnico para orientar a priorização espacial das áreas a serem restauradas.
Diretrizes metodológicas e objetivos
O roteiro metodológico visa garantir:
- Qualidade técnica e consistência dos dados
- Transparência nos critérios de seleção
- Aplicabilidade em diferentes escalas territoriais
Entre os objetivos específicos, destacam-se:
- Apoiar políticas públicas e projetos de restauração
- Subsidiar ações de regularização ambiental de imóveis rurais
- Orientar compensações ambientais e concessões florestais
- Fortalecer estratégias de mitigação climática e segurança hídrica
- Promover soluções baseadas na natureza e serviços ecossistêmicos
Inteligência espacial e monitoramento
A resolução enfatiza o uso de ferramentas de inteligência espacial para identificar áreas prioritárias em diferentes escalas — nacional, regional e local. A abordagem multicritério considera fatores ecológicos, sociais e econômicos, como:
- Conservação da biodiversidade
- Mitigação das mudanças climáticas
- Viabilidade técnica e financeira
- Presença de conflitos fundiários ou oportunidades locais
Participação social e validação técnica
O processo de priorização deve ser participativo, envolvendo:
- Órgãos públicos federais, estaduais e municipais
- Organizações da sociedade civil
- Instituições acadêmicas e centros de pesquisa
- Setor privado e comunidades tradicionais
A resolução recomenda oficinas, audiências públicas e consultas digitais para garantir legitimidade e apropriação social dos resultados.
Resultados e aplicação
Os produtos gerados incluem:
- Mapas vetoriais e matriciais com gradientes de prioridade
- Tabelas de critérios e indicadores
- Documentação metodológica e infográficos
Esses resultados devem ser integrados a plataformas públicas de dados espaciais, como geoportais e painéis de governança ambiental, servindo como instrumentos de apoio à tomada de decisão, e não como ferramentas mandatórias.
Para acessar o texto completo da resolução e o roteiro metodológico, consulte a publicação oficial no .
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